Erotismo – Guideline

31/05/2007 03h00

Jorge Forbes

  1. Pode-se afirmar que nossa época seria aquela na qual o erotismo está correndo mais à solta? Nada menos garantido, a não ser para os padrões de um olhar nvelhecido de uma geração anterior, que vê hoje a possibilidade que ontem sonhava, mas que já não alcança mais.
  2. O erotismo humano não é maior ou menor em decorrência de restrições exteriores, mais ou menos moralistas; que engano! O caráter enviesado do nosso erotismo é constitutivo do próprio ser humano, daí a poesia que se renova em todas as épocas para tentar dizer o que fica sempre no não dito, independente das supostas liberalidades externas.
  3. Se o erotismo fosse direto e solto não haveria mais poesia, nem insinuação, nem alusão. O mundo seria sem relevo, chato; chato como um filme pornográfico, assassinato de qualquer erotismo.
  4. Muitos temiam que com a globalização, e subseqüente maior diversidade de comportamentos, que entraríamos em uma época de crescente promiscuidade sexual. Pois bem, deu-se exatamente o contrário, comprovado também pelas estatísticas já publicadas, tanto no Brasil, quanto na Europa. Não é difícil de entender esse fenômeno: a horizontalização do laço social que vivemos, se por um lado despadroniza as opções, aumenta para cada pessoa a responsabilidade da escolha.
  5. O impossível estrutural da sexualidade humana se expressar às claras, porque não há luz que a possa esclarecer por completo, faz com que as mudanças sociais recoloquem o impossível em lugares diferentes, conforme a época. Foi o que levou Vicente de Carvalho, em verso célebre, constatar que a felicidade existe, mas nunca a pomos onde nós estamos. Assim, se ontem os homens se esmeravam em treinar o melhor discurso para seduzir uma mulher (Larclos), distinguindo claramente o lugar do amante e da amada, hoje, o amor se resolve em outros passos, não tão estavelmente repartidos, não por isso menos interessante.
  6. Amém.