/O Prolongamento da Vida

Um presente de grego; é assim que muitos recebem a notícia emitida pelos avanços técnico-científicos no prolongamento da vida. Ganhamos de 30 a 40 anos, a mais, de vida participativa. O que fazer com anos de vida que ganhamos a mais? O novo ciclo de palestras do Espaço Cultural CPFL – outubro de 2006

Curador | Jorge Forbes

3 | outubro | terça | 19h
Cinqüentão: O verdadeiro adolescente. Uma nova crise a ser tratada

Jorge Forbes (Psicanalista e psiquiatra. Pós-graduado em Psicanálise pela Universidade de Paris VIII. É Analista-Membro das Escolas Brasileira e Européia de Psicanálise)

Foi-se o tempo em que o adolescente era um garoto, entre 13 e 18 anos, cheio de vontade de viver e um pouco desorientado. A adolescência mudou de faixa etária. Hoje, a pessoa entre 50 e 60 anos entra em crise com quase todas as suas escolhas anteriores: de amor, de trabalho, de amigos, de prazeres. Curiosamente, ela se angustia com tantos anos pela frente da vida prolongada, como diz o nome deste módulo. Viver mais é bom, mas não saber como é duro. Há que se inventar novas profissões, amigos, renovar amores, conviver com filhos, netos, bisnetos. Enfim, cabe a pergunta: – Como você quer comemorar os seus 100 anos?

17 | outubro | terça | 19h
Para onde nos conduz a manipulação genética?

Mayana Zatz (Professora de Genética Humana e Médica e Coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano na USP. Presidente da Associação Brasileira de Distrofia Muscular)

O estudo do genoma humano está revolucionando a medicina. Testes genéticos permitem diagnosticar rapidamente um número crescente de doenças, prevenir o nascimento de novos afetados e controlar a resposta genética a drogas. Por outro lado, a possibilidade de detectar se pessoas saudáveis têm mutações responsáveis por doenças de início tardio (ainda sem tratamento) ou de genes que influenciam nosso comportamento ou personalidade abrem inúmeras questões éticas. Conseguiremos manipular nossos genes? Quem vai garantir a nossa privacidade genômica? Estamos preparados para o conhecimento do nosso genoma?

24 | outubro | terça | 19h
Casa, cidade e consumo da maior-idade

Ricardo Caruana (Arquiteto formado em Paris e mestre em Lausanne. Colaborou com Oscar Niemeyer na Argélia, com Zanine no Brasil e com Julius Naterer na Alemanha. Integra a diretoria da Escola da Cidade de São Paulo)

A prática concreta da arquitetura passa pelo projeto. Projetar arquitetura, por si só, deveria remeter a um futuro. Mas qual ? Hoje, por um lado o acontecer dos fatos se acelera. Por outro a medicina garante o aumento do tempo de vida aos idosos e com isso seu maior número. E a qualidade dessas vidas? Como projetar-nos nesse futuro para podermos projetar para ele?

31 | outubro | terça | 19h
Até que ponto a pele estica? A imagem corporal

Ivo Pitanguy (Médico cirurgião, é membro da Academia Nacional de Medicina e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões)

O Homo Faber suplantou o Homo Sapiens: hoje, o poder tecnológico supera a possibilidade de aproveitamento daquilo que fabricamos. O limite não mais é dado pelo que se pode fazer, mas pelo que se quer fazer. Passamos da barreira objetiva, à barreira subjetiva. A cirurgia plástica é um domínio que evidencia essa problemática: até onde a pele estica?