/Painel do Leitor, sobre o “Complexo de Cientista”

Painel do Leitor da FSP – leia as reações ao artigo de Jorge Forbes e Daniele Riva, “Complexo de Cientista”, publicado na Folha de São Paulo – Mais!, no domingo, 11 de julho: cartas de Ariel Bogochvol, diretor da Escola Brasileira de Psicanálise – São Paulo, e de Admar Horn, membro da Sociedade de Psicanálise de Paris e da Sociedade Brasileira de Psicanálise – Rio de Janeiro, publicadas pela mesma Folha, neste domingo, 18 de julho.

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Ciência
“Cumprimento o caderno Mais! pela publicação do artigo “Complexo de Cientista”, assinado pelo neurologista Daniele Riva e pelo psiquiatra e psicanalista Jorge Forbes. Os autores fazem uma crítica lúcida e radical do projeto da “neuropsicanálise” e de outros que, sob uma vestimenta Científica, integradora e unificante, juntam “paradigmas incompatíveis”, reduzindo a psicanálise ao que ela não é. Tanto a tentativa de localizar o aparelho psíquico freudiano – e, por extensão, o campo freudiano- nas circunvoluções Cerebrais como a de apresentar a psicanálise como uma psicoterapia entre outras -vide a recém-criada Associação Brasileira de Psicoterapia- são projetos ambiciosos, que encantam muita gente, encontram acolhida na mídia e têm conseqüências epistemológicas, clínicas e políticas. Esse artigo resgata, quanto à psicanálise, “a lâmina cortante de sua verdade” (J. Lacan) e, quanto às neurociências, suas realizações e suas fronteiras. Realiza, em ato, aquilo que afirma no final: “Neurologistas e psicanalistas melhor fazem refinando suas diferenças e se surpreendendo mutuamente”.”

ARIEL BOGOCHVOL, diretor da Escola Brasileira de Psicanálise –
Seção São Paulo

São Paulo, SP
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“A peculiaridade da psicanálise a coloca, neste momento de globalização desenfreada, como um dos últimos lugares do sagrado. Concordo inteiramente com Daniele Riva e Jorge Forbes e parabenizo-os pelo excelente artigo de 11/7. Peripécias pseudocientíficas nos afastam da possibilidade do afinamento das nossas diferenças. Durante muito tempo, a relação dual caracterizou as camadas mais profundas da transferência, contudo uma modificação surgiu, fazendo entrar em cena o papel de uma triangulação não forçosamente ligada ao Édipo. Como dizem os autores do artigo, o conceito de terceiro analítico está suficientemente presente na clínica atual e merece discussão e reflexão profunda dos profissionais da área. Deixemos que a neurologia e a psicanálise avancem cada vez mais com o uso de suas respectivas ferramentas.”

ADMAR HORN, membro da Sociedade de Psicanálise de Paris e da  Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, RJ.