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14 de abril de 2004

sinopse por Andréa Naccache

1ª sessão

Leibproblem: O-problema-do-corpo

 

Psiquiatria do tubo de ensaio

“Na verdade, porém, as lágrimas nunca podem ser medidas.

Quando se mede, medem-se na melhor das hipóteses um líquido e suas gotas, mas não lágrimas. As lágrimas podem ser vistas diretamente. Qual é o lugar das lágrimas? São elas algo somático ou algo psíquico? Nem uma coisa nem outra”.

Seminários de Zollikon, Ed. Vozes. Sessão de 11 de maio de 1965, p. 108.

 

 

O texto não é de um poeta ou de um psiquiatra. Martin Heidegger, um dos filósofos mais importantes do século XX, diz essas palavras em uma conferência a psiquiatras na casa de um deles, Medard Boss, em Zollikon, nas vizinhanças de Zurique. Respondia assim ao que na época fora um trabalho bem conhecido de outro psiquiatra, Hegglin: “O que o clínico geral espera da Psicossomática?”.

Hegglin representava o que a todos parecia evidente: há uma distinção entre o somático e o psíquico. Se podemos medir o soma, não podemos medir a psique, campo da intuição, do sentimento. O avanço da ciência garantiria, no entanto, uma mensuração sempre mais abrangente: se ontem faltavam meios, amanhã seria possível saber mais e mais. A psique seria lida em números, “em virtude da relação psicossomática” (diz Hegglin, p.3), medindo-se o corpo.

Por base de sua ciência, Hegglin guarda a crença de que só a mensuração nos põe em contato com o real. Sua proposta: o psiquiatra que quer conhecer o luto de uma pessoa deve partir do volume de lágrimas. Heidegger contesta.

 

Dois corpos

O filósofo recusa a distinção entre soma e psique, demonstra sua inconveniência. Lembra que o idioma alemão permite falar em dois corpos: Körper e Leib e assim começa a re-avaliar o problema.

Um deles, corpos, importa especialmente a Heidegger e ao psicanalista. Jorge Forbes o distingue: o Leib.

Enquanto Körper é o corpo material, mensurável, com que lida o médico, Leib é o corpo-corpo, vida, que não se mede no espaço cartesiano e com o qual, aliás, não podemos operar através de instrumento algum. Nenhum metro se oferece entre nós e o Leib.

O Leib é determinante do Körper.

Para lidar com o Körper temos estetoscópios, scanners, ferramentas. Agir sobre o Leib requer ir além. Requer uma ação sem intermediação, do homem sobre o homem.

A essa ação, os gregos chamaram prattein. Através do latim, para o português, o termo que temos é `práxis’.

 

Práxis x prática

Hannah Arendt, pensadora muito próxima de Heidegger, apresenta a práxis com um estatuto especial entre as atividades que considera comporem “A condição humana”. Além do labor que serve às necessidades de nossa biologia, e do trabalho que constrói os artifícios humanos no mundo, ela ressalta uma terceira, a ação – práxis – como “única atividade que se exerce diretamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria”, e que: “corresponde à condição humana da pluralidade, ao fato de que homens, e não o Homem, vivem na Terra e habitam o mundo” (in A Condição Humana, Forense Universitária, 2001, p. 15).

Para a psicanálise, importa diferenciar práxis e prática. Lacan ocupou-se disso no primeiro momento do Seminário XI. Forbes desenvolve o sumo da questão para a clínica atual: a prática é uma ação instrumentada, que obedece a um saber orientado e atende a algum ideal.

Considerando que a maior orientação, hipoteticamente, é “Deus”, a prática funciona com Deus interposto entre os homens, referência última, fundando um saber, razão do termo `teoria’ (no grego, theós é o divino). A prática, portanto, liga-se a um corpo teórico e faz profissão por uma ação padronizada.

A práxis, ao contrário, sem intermediário, não gera teoria, nem faz profissão.

Por isso, Jacques-Alain Miller afirmou que “não existe nenhum dogma na psicanálise”, nem mesmo o “inconsciente estruturado como uma linguagem” lacaniano. (em 23 de julho de 1998, Relatório da Assembléia Geral da AMP). Não existe nenhum conceito que dê identidade a um analista, insiste Forbes.

Nenhum controle garante uma práxis, porque ela está além da ordem do Körper. Então, a clínica não se sustenta do setting do consultório, dos termos que o analista usa, do tempo de sessão.

A clínica é sustentada pelo Leib do analista, que precisa estar pronto a expor-se, a transpor os limites do Körper. A transmissão da psicanálise, aliás, só se faz pelo que o clínico expõe, que foge a qualquer regra. Daí o título deste Seminário.

 

As Exposições Clínicas

São três os convidados às conversas com Jorge Forbes: Carol Sonenreich, Táki Athanássios Cordás e José Alberto Del Porto. O título do Seminário não dispensa os traços pessoais de cada expositor, de cada clínico, de diferentes opções entre si. Por isso, não fala apenas em “exposições”, mas indica singularidade: serão “As Exposições Clínicas”.

É que um seminário deve ir além das identidades, do reconhecimento. Um seminário deve sustentar o efeito de práxis que o torna suportável além da compreensão – assim disse Lacan na abertura de “Televisão”, explicando a presença do grande público.

Daí se conclui: porque está além dos parâmetros do reconhecimento, uma práxis não se ensina, mas se transmite.

Para que haja ensino, uma pessoa deve dar direção prática à outra. É necessário, então, o elemento de referência: a teoria. Do par teoria-prática decorre uma técnica especializada: um tratamento X ao sintoma Y. Em outros casos, X será contra-indicado. A psicanálise, ao contrário, mantém-se “desespecializada” (Forbes), e portanto “não tem contra-indicações” (Miller).

 

Leibproblem

Jorge Forbes intitula essa primeira sessão do Seminário, em alemão, com a expressão usada por Heidegger: Leibproblem, “o-problema-do-corpo”. Um problema ao qual não cabe solução.

Que surpreenda bastante a quem ouve, Forbes insiste: a psicanálise sempre tratou “o problema do corpo”. Engana-se quem acreditou que sua preocupação era a psique. A psicanálise surge por causa do problema do corpo.

O jovem Freud, neurologista, estudioso de estruturas nervosas animais, ao chegar à Salpêtrière, em Paris, deparou-se com um corpo que não correspondia aos tratos nervosos. Um outro corpo.

Não encontrou a oposição entre psique e soma. Encontrou, o que é mais interessante, um descompasso entre suas medidas médicas e um corpo, como diz Heidegger, não mensurável. Freud chamou-o corpo “traumatizado”.

Mais tarde, também Lacan ocupou-se do Leibproblem. Dedicou-se, por vinte anos, a cientificizar o projeto freudiano, valendo-se da lingüística estrutural de Saussure, na aposta de que a palavra captaria não apenas nossa imagem, mas que logificaria o corpo.

Nos anos 70, porém, encontrou algo “mais, ainda” – título de seu Seminário XX, “Encore”, de 1973 – “no corpo”, “en corps” (expressões homófonas, em francês). Teria que conduzir a psicanálise para além da verdade científica, para além da palavra cheia de sentido, a uma certeza fundada, ela mesma, “en corps”. Só assim superaria o limite do Körper.

Então, abre seu Seminário de 1976 (L´Une-bévue) com a proposta de ir além do inconsciente. A essa altura, percebeu que o conceito de inconsciente estava sendo usado, na psicanálise, com força de verdade teórica, posta como intermediário entre analista e analisando, balizando uma prática, obstando a práxis.

Lacan insistiu que o percurso de uma análise permitisse à pessoa “desabonar-se do inconsciente”. Um convite difícil de suportar, pois a segurança do espaço cartesiano, da possibilidade de mensuração, teria que ser abandonada. Porém, um convite irrecusável, quando as outras soluções para a satisfação humana levam ao pior.

 

Uma sociedade de medidores

Quem se recusa a ir além do plano cartesiano, quem recua diante da ação imediata e desprotegida entre os homens, é quem anseia pelo avanço da teoria, pela ortopedia do Körper, pela adequação profissional. Enfim, é quem clama pela medição do clínico, um tema em voga: a avaliação profissional.

São grandes os esforços, hoje, pela regulamentação da clínica psi.

Jorge Forbes encontra em Gilles Lipovetsky e em Jean-Claude Milner considerações preciosas para se pensar essa febre.

Lipovetsky percebe, nesses tempos pós-modernos, de falência dos padrões, uma forte angústia pela liberdade. Quem esperava estar sempre protegido pela medida da “normalidade”, agora conduz movimentos reacionários em diversos campos, para reerguer a dura ordem moderna, hipervalorizando a tecnologia, o individualismo e a economia. É de uma combinação desses critérios que se erige o sistema de regulamentação profissional.

Milner, por sua vez, nota que saímos de uma democracia limitada, em que a ordem era dada pela lei e, sob ela, pelo contrato, para entrarmos em uma democracia ilimitada.

Quando havia limite, o silêncio da lei implicava em permissão: pode-se fazer tudo o que a lei não veda. Na democracia ilimitada não há espaço para o silêncio, todo o vínculo social é contratado. Portanto, só é permitido o que está expresso.

Daí que a sociedade de democracia ilimitada seja permeada pela medição. Nela, quem não se enquadra na boa medida será considerado charlatão.

Houve uma recente investida, na França, pela regulamentação. Estaria aberta “a temporada de caça aos charlatões”, como escreveu Miller em L’Âne. Os analistas franceses conseguiram, em muito, vencê-la.

Enquanto isso, circula desde Conselhos de Psicologia, avalizados em Brasília, um documento com o mesmo ímpeto mensurador, propondo ao campo psi brasileiro uma definição do que seja psicoterapia (psicanálise incluída) em oposição a “psicoterapias alternativas” e “práticas religiosas”, a partir de determinações de “enquadre, local, objeto, atividades que a descrevem, suas metas, aplicações e sua epistemologia geral”. Seriam descritos, então, para reconhecimento público, os métodos de validação e prescrição de psicoterapias. Esta proposta culmina na disposição de “definir o charlatanismo”.

 

Uma metáfora poética

Mas essa protocolização contrária ao contato do Leib, em nome das medidas do Körper, não convence a muitos. Edouard Zafirian, psiquiatra francês, professor em Caen, falou ao Le Monde, no dia 13 de abril, em favor da subjetividade, lembrando que o “scanneamento” do cérebro não a lê. Comentava as novidades tecnológicas para ressonância magnética cerebral com a seguinte afirmação: “ver o cérebro pensar é uma metáfora poética”. A medicina não responde ao que temos de mais humano.

Do final de 2003 é uma reportagem na revista Science, “Future brightening for depression treatments”, que apresenta novas teorias sobre a depressão, afirmando que não haveria qualquer razão para uma alteração na serotonina das pessoas deprimidas senão pelo stress psíquico.

De acordo com a Science, pesquisas neurológicas permitem afirmar que os deprimidos vivem o eco de sofrimentos da infância. É, decerto, uma proposta mais próxima da psicanálise: essa foi a primeira tese de Freud. No entanto, Freud reviu a simplicidade dessa perspectiva inicial, quando constatou que não se tratava, no sofrimento atual, de reflexos de um sofrimento passado, mas que a depressão seria, sim, conseqüência de alguém ter interpretado que sofreu.

Forbes mostra, no Le Monde e na Science, como é possível fazer melhor que sustentar a ciência medidora e sua “verdade sobre o verdadeiramente real” (Heidegger, p. 121). Esses dois exemplos atuais indicam a busca de um tratamento do que está além do corpo material.

 

Uma nova espacialidade

O que é Leib? Para apresentá-lo, como fez Heidegger, Forbes convida a audiência a pensar em um lugar: em São Paulo, o aeroporto de Congonhas. Indaga o que algumas pessoas viram. “O portão de embarque”, “a espera”, “a greve recente dos funcionários da aduana”. “A greve?” – quer saber Forbes – “você estava lá?”. “Não.”

A resposta, para Heidegger, considerando o Leib, jamais seria “não”. É a métrica cartesiana que nos dá a distância do aeroporto; mas, quando pensamos um espaço – à indiferença do Körper – conseguimos “tornar presente” o seu lugar (p. 95 e ss.).

O limite de nosso corpo não é a pele, enfatiza Forbes, não é o extremo do corpo material. Daí que um dos indicadores da esquizofrenia seja uma dificuldade da pessoa localizar os órgãos em seu corpo. Há mais no ser humano que o Körper.

Diz Heidegger: “o Dasein (ser-no-mundo) do homem é espacial em si, no sentido de ordenar o espaço e da espacialização do Dasein em sua corporeidade. O Dasein não é espacial por ser corporal, mas sim a corporeidade só é possível porque o Dasein é espacial no sentido de ordenar” (p. 108).

Esse texto de Heidegger torna-se claro ao analista se pensar que, como propôs Freud, algo amarra as fantasias: o fantasma.

O fantasma constitui uma ordenação espacial de Leib, não restrita apenas ao Körper. Para a encontrarmos, é preciso quebrar as regras de percepção cartesianas, sua lógica incompatível com a espacialidade desse corpo. Lacan propôs, por isso, uma nova topologia, a partir do toro, sem dentro e fora, que nos permite estar aqui e em Congonhas. Uma topologia dependente da maneira como a pessoa estrutura esse espaço.

A proposta é, ao mesmo tempo, de Lacan e de Heidegger: encontrar uma nova ordenação ao abandonar a teoria, descrer na providência divina (como diz Lacan no Seminário VII). Para isso, diz Lacan, é preciso assumir o risco de uma ação sem garantias, en-theos, entusiasmada.

 

Liberdade compartilhada

A reviravolta no nosso senso de espaço – que conseguimos quando levamos em consideração o Leib – permite repensar o laço social e a liberdade.

Em 3 de abril, Forbes esteve no Fórum Mundial de Educação e pôde conversar com um advogado e um delegado sobre os crimes na internet.

No enfoque policial, caberia deter os hackers. Ao Estado, valem as soluções de controle à maneira big brother ou little sister: respectivamente, uma polícia centralizada ou difusa, privatizada, mesclada à sociedade. A conferência de Forbes, provocativa, portanto, teve como título “A erótica do hacker”.

O hacker sustenta nossa esperança de que jamais o controle geral e absoluto possa se realizar, disse ele. Na conversa, o delegado percebe a dificuldade de seu intento: a cada grande hacker capturado, a cada melhoria nos sistemas de defesa, surgem cinco novos gênios da tecnologia capazes de quebrá-los.

Forbes propõe ao delegado pensar que isto tem uma razão estrutural: o crime é sempre tão mais radical quanto maior for a defesa. Por isso, enquanto a sociedade buscar a ordem no scanner do comportamento, na medida, na fronteira, levaremos uma vida remediada.

A sociedade pensada a partir do Körper, dos controles, rege-se pelo princípio de que “a liberdade de um começa onde termina a liberdade do outro”. É a dita “liberdade individual”.

Com o Leib, em sua espacialidade diferente, podemos exceder a medida do indivíduo para obter uma liberdade, diz Forbes, “compartilhada”. Tercio Sampaio Ferraz Junior, em seus “Estudos de Filosofia do Direito”, enunciou essa proposta: “a liberdade de um começa onde começa a liberdade do outro” (Ed. Atlas, 2002, p. 137).

Hoje, se há um modelo dessa forma de laço, diz Forbes, é a psicanálise.

 

Livre associação

Quando o analista convida o analisando a falar tudo o que lhe vem à cabeça, quando lhe oferece a oportunidade da mais livre associação, a tendência do analisando é repetir-se. Ele não suporta a liberdade, ele mede o que diz pelo outro, e encontra sempre o mesmo para dizer.

A liberdade do analista está em poder se desinteressar da significação repetida na fala do analisando. Com base nessa sua liberdade, leva o analisando a encontrar outras formas de resolver o impasse do seu corpo, a quebrar as medidas do Körper pelo Leib.

Mas como a psicanálise poderia alcançar a sociedade, chegar a cada um? A proposta de Forbes é que a clínica exceda o setting tradicional, incidindo nas relações familiares, nas empresas, na política.

Na família, será necessário introduzir a práxis, como ação sem justificação, entre pais e filhos, no casal.

Na empresa, trata-se de ganhar a confiança e a efetiva parceria do consumidor. Já não cabem mais os princípios de “business is business”, do livre empreendedorismo. Mesmo a concepção de “consumidor” tem seus dias contados: o público começa a exigir uma parceria ética de quem o atende. Os contratos ganham flexibilidade.

No governo, um novo tipo de liderança será necessária, para que não retornem ao poder os iluministas, medidores do Körper.

 

O acesso ao Leib

“Como se mede a tristeza? Evidentemente não é possível medi-la. Por que não? Se nos aproximássemos de uma tristeza com um método de mensuração, a própria aproximação transgrediria o sentido da tristeza, e a tristeza como tal seria eliminada de antemão. O próprio propósito de medir neste caso seria uma transgressão contra o fenômeno como fenômeno” (Heidegger, p. 109).

Medir a tristeza é acabar com ela. Recomendação heideggeriana, diz o psicanalista: não basta resolver a tristeza do outro. Resolver é simplesmente medir, é pouco para nossa humanidade.

A linguagem comum permite a alguém dizer que está “profundamente triste”, ou “um pouco triste”. Não implica na existência de um critério quantitativo: “esse `um pouco’ significa um modo (qualidade) de afinação”, reforça Heidegger.

Segue: “na profundidade de uma tristeza, falta totalmente qualquer ponto de apoio e ocasião para avaliá-la quantitativamente ou até medi-la. Numa tristeza só é possível mostrar como um homem é solicitado, e como sua relação com o mundo e consigo é modificada” (p. 109).

O que essa passagem permite pensar é fundamental à psicanálise: a tristeza tem condições de modificar um corpo. Ou seja, o corpo é acessível.

É com base nisso que a práxis opera para mudar a relação de uma pessoa com o mundo; para transformar a relação da pessoa com o seu gozo.

Podemos, enfim, entender o gozo como um ponto além do fantasma, desde o qual o mundo ganha ordem para uma pessoa.

Forbes conclui com um achado, na indicação de Heidegger: o corpo é acessível pelo

gesto (lembra a edição de seu Seminário, Da palavra ao gesto do analista, Zahar, 1999).

Disse Heidegger:

“o que significa a palavra gesto? Etimologicamente [no alemão], vem de “portar” = carregar, trazer. Também gestar vem da mesma origem. “Ge” significa sempre estar numa reunião como, por exemplo, serra [Ge-birge], que é uma reunião de montanhas. Para o homem, gesto significa um conjunto de comportamentos. Na filosofia não devemos limitar a palavra gesto à interpretação “expressão”, mas sim indicar todo o comportamento do ser humano como um ser-no-mundo determinado pelo corporar do corpo” (p. 118).

A psicanálise – Forbes conclui numa composição com Heidegger – apreende o real que escapa ao Körper, pelo gesto do analista, por um “corporar da fala no corpo”.